
Uma das atrações da FIQ 2010 foi o Espaço Marceneiro, voltado aos profissionais interessados em modernizar a produção, empreendedores focados na abertura de uma fábrica de móveis e estudantes buscando o primeiro contato com a futura profissão. Consultores do Senai fizeram demonstrações das três operações básicas da marcenaria – corte, colagem de borda e perfuração. O espaço e os equipamentos – dotados do software TopSolid Wood, desenvolvido pela francesa Missler – foram disponibilizados pela Marjos do Brasil, importadora da marca chinesa V.I.MA. As chapas foram cedidas pela paranaense Berneck e a usinagem pela multinacional Homag.
Segundo o consultor do Senai Edson Augusto Lopes, o grande diferencial do Espaço Marceneiro foi a oportunidade dos visitantes tomarem contato com máquinas que facilitam a vida dos profissionais. Nesse sentido, o marceneiro constata que é possível migrar da serra circular esquadrejadeira para uma seccionadora, com a qual, segundo Lopes, ele vai ganhar em qualidade de corte e produtividade. Ou passar de uma coladeira de borda manual para uma automatizada. Ou ainda de uma furadeira simples para uma múltipla.
“O visitante do Espaço do Marceneiro ganhou um up grade em termos de processo produtivo”, define o consultor do Senai. Augusto Lopes afirma que o mercado de marcenaria está se aquecendo. Segundo ele, muitas pessoas recorrer às marcenarias em busca de móveis sob medida ou personalizados – desejo que a indústria moveleira, por trabalhar com produção em série, dificilmente contempla. “No entorno do polo de Arapongas, principalmente em Londrina, estão surgindo muitas oficinas”, constata o consultor do Senai.
Uma delas está sendo montada na Vila Nova, área central de Londrina. Nas poucas máquinas atualmente instaladas lá, Roni Antunes e dois funcionários produzem jogo de quarto, rack, estante e móveis para cozinha, além de “alguma coisa” para escritório. Com um número de encomendas maior do que a capacidade de produção, Antunes esteve na FIQ para conhecer equipamentos mais modernos, capazes de aumentar a produção – e, naturalmente, a renda – sem, necessariamente, contratar mais funcionários.
“Sem divulgação, apenas no boca-a-boca dos próprios clientes, minha empresa está crescendo bastante”, diz Antunes, que aprendeu o ofício na marcenaria do pai, em Itapoá-SC. “Já não estou conseguindo dar conta dos pedidos”, explica. “Do jeito que está, não posso assumir uma encomenda grande”, acrescenta ele, que fez diversas cotações de cortadeiras e coladeiras de borda, mas ainda tem de regularizar alguns documentos da empresa para poder contrair um financiamento.
Marcenaria própria
Empresários em Londrina, Felipe Martins e Eveline Costa foram ao Expoara conferir os equipamentos de marcenaria. Gerente comercial e gerente financeiro, respectivamente, da Enzzo Móveis, eles pretendem assumir o setor de marcenaria da empresa, atualmente terceirizada. “Viemos ver as máquinas e também aprender sobre os processos, para evitar erros primários, saber exatamente o que estamos fazendo”, afirma Martins. A Enzzo fabrica mesas e cadeiras para residências e escritórios, mas o forte da empresa, explica Eveline, é a importação desses mesmos produtos, destinados à classes A e B.
As oficinas técnicas e o Espaço Marceneiro estão atraindo também estudantes. Na quarta-feira, o auditório e o estande receberam a visita de 40 alunos do primeiro ano de Engenharia Industrial Madeireira da Unesp de Itapeva-SP. “Essa feira é ideal para os calouros terem o primeiro contato com a futura profissão. Aqui eles viram todo o processo produtivo de uma marcenaria”, diz o professor Carlos Matos. “É um espaço importante porque trabalha fundamentalmente com pequenas e médias empresas, que é quem move esse país.”







































































